First Partner Series 2: abrir a caixa ou comprar avulsas?
A First Partner Series 2 é, a meu ver, uma das coleções mais cativantes do Pokémon TCG. Ela reúne os Pokémon iniciais de cada geração do jogo em três caixas lançadas ao longo deste ano, totalizando 27 cartas e fazendo da coleção completa um projeto relativamente fácil de realizar.

Estamos no final da janela de lançamento da Series 2, o que me permite comprar os três conjuntos avulsos com uma certa estabilidade nos preços, ou tentar a sorte abrindo as caixas. Escolhi abrir uma única caixa, e te garanto que a escolha não foi feita pela emoção de abrir packs. Neste artigo, tento explicar meu raciocínio e mostrar os números reais caso você se interesse em repetir o método.
Alguns dados sobre a First Partner Series 2
A série gira em torno de três conjuntos de Pokémon iniciais. O trio de Johto com Chikorita, Cyndaquil e Totodile é o mais caro e custa cerca de R$ 450; o trio de Unova com Snivy, Tepig e Oshawott sai por cerca de R$ 225; e o trio de Galar com Grookey, Scorbunny e Sobble fica em torno de R$ 165. Completar a coleção com avulsas me custaria por volta de R$ 840. É contra esse número que minha estratégia se mede.
Uma caixa traz um desses três trios de forma aleatória. Comprei a caixa por R$ 220, acima do preço sugerido de R$ 149,90 porque o produto já chega inflacionado no varejo. A conta ainda assim fecha a meu favor, porque estou fixando em R$ 220 o preço de um trio que ainda não sei qual é, e que depois condicionará a compra dos outros dois trios avulsos.
A estratégia
Nota: os preços listados neste artigo referem-se aos produtos importados, distribuídos no Brasil pela Galápagos/Asmodee. Os produtos brasileiros tendem a ser bem mais em conta, por serem produzidos aqui mesmo pela Copag.
Temos três resultados possíveis, cada um com a mesma chance de ocorrer. Se tiro o trio Johto, significa que paguei R$ 220 por um trio que vale R$ 450, obtendo um “lucro” de R$ 230. Tirando o trio Unova, paguei R$ 220 por um trio de R$ 225, ou seja, praticamente um empate. Se vier o trio de Galar, paguei R$ 220 por um trio que vale R$ 165, uma perda de R$ 55.

Em todos os casos eu fico com um conjunto que eu queria, porque meu objetivo é completar a coleção. O que muda entre os desfechos é o quanto paguei pelo trio que Tzeentch o acaso determinou.
É aí que está a beleza da aposta. Desconsiderando o valor inflacionado da caixa, em meu pior cenário eu perco R$ 55 extras. Na melhor das hipóteses, ganho R$ 230, mais de quatro vezes o valor da perda; o terceiro caso é neutro. Arrisco pouco para talvez ganhar muito, mas nunca termino com algo indesejado.
Somando os três desfechos, o resultado médio é positivo em cerca de R$ 60, o que significa que a caixa sai, em média, mais barata do que comprar qualquer trio avulso.
Mesmo na conta mais magra, contabilizando apenas o pack de primeiros parceiros, a aposta ainda é favorável. Digo isso porque, além do trio promocional, cada caixa traz dois boosters de coleções regulares que valem cerca de R$ 29 cada. Eu não os incluo no argumento porque não é algo que eu realmente fui buscar, mas vale notar que o valor dos dois boosters cobre o pior cenário. Contabilizando tudo que a caixa entrega, na teoria não há cenário de prejuízo, embora eu nem precise desse argumento para justificar o risco.
Outros elementos racionais por trás da decisão
O importante nessa estratégia é limitar-se a uma única caixa. A tentação, depois de tirar o Johto, é de abrir outra caixa torcendo por um segundo, já que o primeiro “já se pagou”, mas isso não faz sentido: o trio Johto só vale R$ 450 porque eu “preciso” dele para a coleção. Um segundo Johto passa a valer só o que eu conseguir com a troca ou a revenda. Sem o prêmio em sua totalidade, a segunda caixa vira uma má aposta, com um terço de chance de pagar caro por um trio que eu completaria por menos comprando avulso. Tirei o que precisava na primeira? Não importa, a loteria acabou. Os trios que faltarem eu compro diretamente, sem contar com a sorte.
Comprar a caixa agora também foi uma decisão de timing, não só de preço. A Series 1 triplicou (artificialmente) de preço depois do lançamento, mas isso não garante que a Series 2 fará o mesmo, até porque são produtos diferentes em momentos diferentes. Existe a possibilidade de uma reimpressão das três caixas em outubro, o que aumentará a oferta e provavelmente diminuirá os preços das avulsas, e nesse caso quem esperou terá acertado.
Como eu não sei qual cenário se realizará, minha decisão parte do que está sob meu controle. Comprando agora eu encontrei um preço “justo”, paguei pela chance de obter o trio mais valioso e adiantei uma etapa do meu projeto antes do lançamento mais importante do ano, o aniversário de 30 anos da franquia em setembro, que é minha prioridade. Repare que eu não estava no hobby quando a Series 1 foi lançada, e como existe a chance da caixa ser reimpressa com o evento de aniversário, resolver a Series 2 agora com uma única caixa e um punhado de cartas avulsas me livra de uma “pendência” antes de um grande lançamento.
Fiz uma aposta de risco limitado: 33% de chance de obter o melhor trio, contra 33% de chance de obter o pior deles, com um prejuízo menor. Farei o mesmo com a Series 3, que será lançada semana que vem e na qual paguei um preço ainda melhor pelas caixas. Com dois conjuntos com potencial de valorização, o trio de Kalos e o trio de Hoenn, pode valer a pena abrir uma segunda caixa de acordo com os resultados da primeira, como veremos nos próximos capítulos.

Esperei o contato… e o contato veio
Tirei o trio de Galar. O pior dos desfechos, aquele em que o trio avulso vale menos do que o preço da caixa. Na prática, o soco foi amortecido pelo hit de um dos boosters, uma carta que faltava em outra coleção. Era exatamente isso que eu queria dizer quando falei em risco tolerável: não que o azar não fosse acontecer, mas que, quando acontecesse, não seria tão dolorido.

Eu poderia abrir uma segunda caixa atrás do Johto, mas é aí onde disciplina fala mais alto que a vontade. Abrir de novo me expõe a tirar outro Galar, e um segundo Galar tem um valor ainda menor que o primeiro. O primeiro eu queria porque preciso dele para a coleção; o segundo seria duplicata, e duplicata vale menos para mim do que o preço de mercado sugere, porque eu não tenho o que fazer com ela além de repassar. E repassar tem um custo que não aparece na etiqueta: encontrar alguém disposto a trocar ou comprar o conjunto, negociar, combinar o envio. É tempo e energia que eu prefiro gastar com coisas mais úteis ou mais agradáveis do que administrar cartas repetidas.
Então fico com o Galar, completo o Johto e o Unova avulsos, e encerro a aleatoriedade da Series 2 por aqui. Sem drama. Sem revanche contra Tzeentch. A aposta era pequena, o risco era conhecido, e o resultado coube confortavelmente dentro do planejado. É assim que uma boa estratégia se comporta: ela não depende de dar certo para valer a pena.
Mas isso sou eu pensando alto.
