Dark Angels x Ultramarines: irmão contra irmão
Esse relato ficou parado comigo desde o fim de 2025. É uma partida de dois mil pontos que João e Augusto jogaram lá pelos últimos meses do ano passado e que, por um motivo ou outro, acabou não saindo na época. Mas eu tinha tudo na mão: o texto que os dois escreveram e as fotos da mesa. Não dava pra deixar isso na gaveta.
Dark Angels contra Ultramarines. Dois Capítulos se encarando sobre a neve, e quem narra são os próprios jogadores, cada um puxando pro seu lado da mesa. Pelo que eles contam, foi das partidas mais acirradas que jogaram. A leitura confirma.
Só um aviso sobre as fotos: saíram do celular, no meio do jogo, e nem todas ficaram boas. A luz do lugar não ajudou, então tem imagem tremida e escura no meio. Ainda assim dá pra acompanhar a movimentação dos exércitos. Boa leitura.
Relato e fotos por João (Ultramarines) e Augusto (Dark Angels).
Irmão contra irmão. Ambos os lados traziam marcas de um confronto parecido ocorrido há dez milênios. A razão do atual conflito não se sabe. Mas não seria diferente do início de qualquer outra guerra, que traz em sua própria natureza sempre os mesmos destinos. Vitória, derrota, morte… Marcas perenes no metal, na carne e na alma de seus participantes. O rito da batalha começara, e a performance do conflito, com suas movimentações e dissonâncias ensurdecedoras, iria deixar o solo, outrora coberto de neve branca, manchado de sangue, vísceras e destroços.
Listas e preparação
Jogamos dois mil pontos.
Do meu lado Ultramarine, levei uma lista eclética — nunca gostei de “lista counter”, acho chato. Sempre monto exércitos capazes de se virar em circunstâncias diversas.
- Duas unidades de Intercessors e uma de Infiltrators, responsáveis por segurar linha e negar deep strike a 12″.
- Um avanço com Guilliman, Hellblasters e um Apotecário.
- Outro com Calgar, Aggressors, Apotecário Biologis e Fire Discipline para aumentar o dano.
- Apoio pesado com dois Gladiator Lancers para eliminar veículos e walkers.
- Na reserva, dois esquadrões de Inceptors com plasma e dois Storm Speeders Hammerstrike para derreter blindados.

Do lado dos Dark Angels, Augusto trouxe:
- 6 Inner Circle Companions com cobertura de Eliminators no alto de uma ruína (meu flanco esquerdo).
- 6 motos Ravenwing com plasma, lideradas por Sammael, no flanco direito.
- Um Redemptor Dreadnought com macro plasma e um Repulsor Executioner carregando um esquadrão de Hellblasters.
- Dois esquadrões de Intercessors, um guardando o objetivo na zona de deploy e outro no flanco direito.
- Na reserva, um Nephilim Jetfighter, um esquadrão de Deathwing Knights e outro de Deathwing Terminators com canhão de plasma.

A missão
O cenário da partida: missão primária Purge the Foe (exterminar o inimigo), implantação Hammer and Anvil e a regra de missão Minefields — campos minados que punem o avanço descuidado: a cada rolagem de Avanço com resultado 6, a unidade sofre 1 ferimento mortal.



Turno 1 — O início do rito
Posicionei meus Lancers de modo a ter visão do Redemptor e do Repulsor. Um deles acertou o Repulsor e causou alguns danos. Calgar e os Aggressors avançaram, enquanto os Infiltrators seguiram rumo ao objetivo central.
Os Dark Angels responderam. O Repulsor Executioner alvejou um dos Lancers, tirando cinco pontos. O Inner Circle avançou, e as motos Ravenwing flanquearam pela esquerda.
Augusto ainda posicionou dois Teleport Homers: um atrás de Calgar, outro próximo ao centro. Fim do turno um.

Turno 2 — O contra-ataque azul
Resolvi ser mais agressivo. Precisava conter o avanço inimigo e decidi trazer toda a reserva. Queria guardar os Inceptors para os Terminators, mas preferi tomar a iniciativa.
Dois esquadrões de Inceptors surgiram para lidar com o Inner Circle; dois Storm Speeders caçariam as motos. Guilliman permaneceu no centro, aguardando o momento certo. Calgar recuou para segurar os Terminators.
Na fase de tiro, os Lancers destruíram o Repulsor, forçando o desembarque dos Hellblasters. Os Inceptors dizimaram quase todo o Inner Circle, restando apenas o HQ. As motos caíram quase todas — só Sammael e uma moto restaram. Matei muito, mas não eliminei as ameaças principais.
Augusto respondeu. Os Deathwing Terminators desceram: os Knights na minha zona de deploy e o esquadrão regular com canhão de plasma próximo ao centro. Os Infiltrators foram dizimados, e os Eliminators e as motos acabaram com meus Inceptors.
O HQ do Inner Circle, o Redemptor e a aeronave deixaram um dos Storm Speeders à beira da destruição e o outro ferido. Situação preocupante.


Placar ao fim da rodada 2 — Dark Angels 12 × 8 Ultramarines
Turno 3 — A ira do Primarca
Era hora de colocar Guilliman em jogo. Ele avançou contra os Terminators do centro, separando-se dos Hellblasters e do Apotecário, que permaneceram no flanco direito com os Lancers.
Concentrei todo o fogo em um único alvo: os Terminators. Eles, defensivamente, invocaram asseclas menores que lhes concederam Feel No Pain. Difíceis de mandar para a Warp. Mesmo com todos os tiros e a investida de Guilliman, três sobreviveram — e ainda feriram o Primarca com suas Power Fists, deixando-o preso em combate.
Os Lancers, bem posicionados, destruíram o Dreadnought. No flanco esquerdo, um Storm Speeder recuou, enquanto o outro eliminou o último Inner Circle. Calgar e os Aggressors enfrentaram os Deathwing Knights, mas estes também invocaram asseclas. Apenas um Terminator caiu.
Na retaliação, a aeronave Dark Angel destruiu o Storm Speeder danificado e dizimou os Infiltrators restantes. As motos avançaram e atacaram novamente. No combate corpo a corpo, os Terminators eliminaram os Aggressors, deixando apenas Calgar, o Biologis e sua guarda.
No outro flanco, os Intercessors e Hellblasters de Augusto avançaram, mas seus tiros pouco fizeram — o Apotecário recuperou até um Hellblaster abatido. No centro, os Terminators infligiram quatro ferimentos em Guilliman. Pura heresia.

Placar ao fim da rodada 3 — Dark Angels 20 × 18 Ultramarines
Turno 4 — Avanço e resistência
Com os Dark Angels liderando no placar, era hora de reagir. Adotei a doutrina tática e avancei no flanco direito. Os tiros combinados dos Lancers e Hellblasters eliminaram os plasmas adversários e reduziram os Intercessors.
Guilliman, mesmo ferido, matou o último Terminator e assegurou o objetivo central. O último Infiltrator, movido por pura fé, correu para reforçar o centro.
No flanco esquerdo, o Storm Speeder restante eliminou as motos Ravenwing. A aeronave Dark Angel retaliou e destruiu o Speeder e o último Infiltrator — mas tarde demais.

Placar ao fim da rodada 4 — Dark Angels 33 × 30 Ultramarines
Turno 5 — Epílogo de sangue
O último turno seria o tudo ou nada. A poeira se assentava, revelando corpos e fragmentos de irmãos.
Os Lancers posicionaram-se e destruíram a aeronave inimiga. Os Hellblasters fuzilaram os Intercessors restantes — apenas um sobreviveu, firme como uma rocha. No centro, Guilliman partiu contra os últimos inimigos, os massacrou e garantiu o objetivo central.
Vitória amarga dos Ultramarines.
O flanco esquerdo, devastado, permaneceu terra de ninguém — palco de uma carnificina tão selvagem que parecia se recusar a ser reivindicada. Apenas os Eliminators restaram, testemunhas silenciosas da fúria entre irmãos.


Placar final — Dark Angels 37 × 42 Ultramarines
Notas sobre a partida
João: fazia tempo que não jogava e estreei a 10ª edição tardiamente. Satisfeito por ter cometido poucos erros — e grato pela paciência e hospitalidade do nobre inimigo.
Augusto: foi uma das partidas mais acirradas que joguei. O Deus-Imperador claramente estava com João: várias vezes, uma unidade sobrevivia tirando 5+ em todos os dados de defesa! Cometi erros, claro, mas nada que mudasse o desfecho. Próxima lista: mais veículos — nessa edição, monstros e blindados reinam.
Fato curioso: o quintal de Augusto dá para o do vizinho, que cria galinhas. Um pintinho caiu no quintal dele. Depois de uma perseguição digna da Ravenwing, consegui pegar o pinto do vizinho. Era pequeno, difícil de segurar, mas tratei com delicadeza. Augusto, já experiente, o ergueu com cuidado e o devolveu à mãe.






